Contexto
O material obtido pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro, preso novamente nesta quarta-feira (4), revela mensagens trocadas com um executivo identificado como Mourão e aponta para a existência de um grupo denominado “A Turma”, supostamente responsável por intimidar opositores e investigar alvos ligados ao Banco Master.
As informações fazem parte da Operação Compliance Zero e são detalhadas em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que descreve as mensagens trocadas entre Vorcaro e colaboradores.
Conteúdo das mensagens
As comunicações expõem a existência de um grupo criminoso denominado “A Turma”, contratado para intimidar, agredir e investigar alvos da operação. Segundo as mensagens, Mourão seria o suposto chefe do grupo.
O conteúdo também afirma que o grupo recebia remuneração de cerca de R$ 1 milhão por mês para manter os serviços mediante as ações descritas.
Trechos relevantes
Em determinado trecho, Vorcaro cogita a possibilidade de simular um assalto para prejudicar um jornalista que teria publicado reportagens sobre a operação.
Em outra passagem, Vorcaro relata sentir-se ameaçado por uma empregada, solicitando que Mourão levantasse informações sobre a funcionária. O registro reproduz a expressão: “Tem que moer essa vagabunda”.
No despacho, Mendonça afirma que o ex-banqueiro monitorava adversários e acessava informações de órgãos públicos por meio da Turma, usando credenciais funcionais obtidas de forma ilícita, segundo a investigação.
Implicações legais e próximos passos
Há ainda menções a uma possível proximidade entre Vorcaro e servidores do Banco Central. Em diálogo com Paulo Sérgio Neves de Souza, então Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária, Neves de Souza envia a Vorcaro a imagem de sua portaria de nomeação, o que é interpretado pela investigação como indicativo de favorecimento decorrente do esquema.
As informações documentalmente reunidas apontam indícios de participação de Vorcaro e de pessoas próximas em monitoramento de alvos e no acesso a informações públicas por via ilícita, fortalecendo a necessidade de continuidade das apurações.



