Após a euforia do mercado de corporate venture capital (CVC) em 2022, o setor passou por retração a partir de 2023, com cautela e reavaliação estratégica por parte das companhias. Parte do desinteresse pode ter sido causada pelos baixos retornos oferecidos por esses fundos. Levantamento divulgado pela Spectra Investimentos aponta que mais de 70% dos programas apresentaram retornos negativos, indicando que o CVC tem sido utilizado mais como instrumento estratégico pela empresa investidora do que para incremento de capital.
O auge do CVC ocorreu em 2021-2022, quando quase metade dos programas foi criada nesse período. Foram criados 18 fundos em 2021 e 22 em 2022. Em 2023, esse número caiu para 5; em 2024, foram criados apenas dois novos veículos.
A análise considerou 32 veículos de investimento com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A taxa interna de retorno (TIR) média foi de -10%, com mediana de -12% e top quartil de 2%.
De acordo com a Spectra, 72% dos programas apresentam TIR negativa e, entre os poucos fundos com retorno positivo, apenas 10% atingiram resultados entre 25% e 50%.
Identificamos 23 startups que foram investidas por um CVC e, posteriormente, adquiridas pelo mesmo CVC, demonstrando um movimento de incorporação de tecnologias e competências. Foram mapeados 14 write-offs e 31 saídas de startups vendidas para outras corporações. Assim, 34% das saídas ocorreram para as patrocinadoras dos CVCs, representando 4% do total dos investimentos.
Investimentos sem participação de CVC
O estudo também analisou 173 investimentos individuais realizados por CVCs, agrupados em três categorias: co-investimentos com fundos de venture capital tradicionais, co-investimentos com VCs mais modernos e investimentos realizados de forma independente pelos CVCs.
Entre esses grupos, os investimentos independentes apresentaram a menor proporção de retornos negativos, com apenas 25% dos casos registrando TIR abaixo de zero. Por outro lado, apenas 10% das startups nesse grupo atingiram TIR superior a 25%, a menor proporção entre as categorias.
Para a Spectra, esse comportamento indica que o perfil de risco e retorno de investimentos sem participação de VCs tende a apresentar menor assimetria e maior foco no retorno estratégico para a empresa investidora.
Já os co-investimentos com VCs tradicionais e com VCs mais novos apresentaram distribuições bastante semelhantes. Em ambos os grupos, 6% dos investimentos geraram retorno acima de 50%, e entre 11% e 12% ficaram na faixa de 25% a 50%. No patamar negativo, cerca de um terço apresentou TIR negativa.
A principal diferença aparece nos write-offs: enquanto os co-investimentos com VCs mais novos registraram 5% de perdas totais, os co-investimentos com fundos tradicionais ainda não apresentaram write-offs na amostra analisada.
Quando se observa o MOIC (múltiplo sobre o capital investido), o contraste permanece. Entre os co-investimentos com VCs mais novos, 3% dos deals superaram 10 vezes o aporte, e outros 3% ficaram entre 5 e 10 vezes. Entre os co-investimentos com VCs tradicionais, 11% ficaram entre 5 e 10 vezes.
Entre os investimentos independentes, apenas 4% superam múltiplos de 2,5 vezes, reforçando a leitura de que esse tipo de operação tende a visar mais valor estratégico do que a maximização financeira.
Conteúdo produzido pela Startups.



