Em janeiro, a Netflix informou que sua oferta de US$ 83 bilhões pela Warner Bros. Discovery seria paga integralmente em dinheiro, marcando a saída da plataforma da disputa por direitos esportivos ao vivo.
Com a saída, analistas indicam que ativos de direitos esportivos globais podem ficar sob o controle de outros players, incluindo a Paramount Global em parceria com a Skydance Media, para consolidar uma estratégia de conteúdo ao vivo com CBS Sports, TNT Sports e Paramount+. A expectativa é de maior integração entre canais lineares e plataformas de streaming.
Antes da saída pública, alguns analistas discutiram a possibilidade de aquisição de contratos de direitos esportivos antes de leilões abertos como forma de obter vantagem, destacando o esporte como eixo da fidelização de assinantes.
Especialistas destacam que o esporte pode tornar-se a espinha dorsal de estratégias de streaming e distribuição, especialmente para mercados com competição entre grandes plataformas globais.
O destino da TNT Sports
Após a Netflix anunciar a saída, a Paramount Skydance passou a considerar a estruturação de um portfólio de esportes ao vivo que integraria CBS Sports, TNT Sports e streaming via Paramount+. Em termos regionais, analistas mencionam operações da Discovery na Europa e possibilidades de integração com parceiros locais, sujeitas a condições regulatórias.
No Reino Unido, a TNT Sports opera com participação da Warner Bros. Discovery (50%) e a BT detém a outra metade; decisões sobre aquisição de participação dependem de fatores regulatórios e estratégicos. A integração com o Paramount+ seria uma forma de ampliar a distribuição de direitos da Champions League e de outras ligas a partir de 2027.
A possibilidade de a Paramount vencer a disputa e consolidar a TNT em conjunto com a CBS Sports pode criar sinergias entre conteúdos lineares e plataformas de streaming, mantendo os direitos de eventos para compor uma oferta de assinatura integrada.
O peso real do canal esportivo na avaliação
Analistas destacam que o valor da divisão Linear Networks da Warner Bros. Discovery depende fortemente de direitos esportivos, que historicamente sustentam o fluxo de caixa da área de mídia.
A saída de grandes contratos, como o pacote da NBA em 2024, é citada como marco que influenciou a avaliação de ativos esportivos. A NBA manteve uma parcela de conteúdo por meio de acordos digitais e a empresa consolidou direitos de torneios adicionais, além de manter parcerias com estúdios para sublicenças de esportes universitários.
Especialistas argumentam que substituir ativos de alto custo por um conjunto mais amplo de direitos pode sustentar a relevância de redes esportivas e a estabilidade de fluxo de caixa, contribuindo para avaliações de ativos no âmbito de um leilão.
Se a Paramount assumir o controle, a integração entre canais lineares e streaming pode oferecer ganhos de escala e eficiência, contribuindo para a competitividade frente a plataformas globais.
O abismo dos direitos de 2028
Os contratos com vencimento em 2028 para ligas como NHL e MLB criam um marco temporal na avaliação de ativos de mídia esportiva, exigindo planejamento de curto e médio prazo para manter a competitividade.
Para investidores, riscos regulatórios, geopolíticos e de mercado devem ser considerados, além de métricas operacionais, ao avaliar ativos de mídia esportiva no contexto de consolidação entre grandes grupos de mídia.
Historicamente, o esporte foi apontado como eixo estratégico para a criação de plataformas integradas, combinando distribuição em canais lineares com serviços de streaming, para sustentar assinaturas diante de um mercado competitivo.



