O Brasil registrou 90 casos confirmados de mpox nas últimas semanas, segundo dados das autoridades de saúde. Embora o cenário esteja distante dos picos observados em 2022, a doença continua sendo acompanhada pelas autoridades, e casos suspeitos ou confirmados devem ser comunicados à rede pública para monitoramento e orientação.
A mpox é uma infecção viral que costuma começar com febre, dor de cabeça, cansaço, dores musculares e aumento dos gânglios. Dias depois, surgem lesões na pele, que podem aparecer no rosto, mãos, pés ou região genital, evoluindo de manchas para bolhas e crostas.
Na maioria das situações, o quadro é leve. Ainda assim, a confirmação do diagnóstico exige orientação médica, isolamento até a cicatrização completa das lesões e acompanhamento para evitar complicações.
Na maioria das vezes, o tratamento é de suporte
Apesar do desconforto que pode causar, a mpox costuma ter evolução benigna. Em grande parte dos casos, o próprio organismo elimina o vírus ao longo de algumas semanas, sem que a pessoa precise de antiviral específico. Por isso, o foco do cuidado é no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações, incluindo repouso, hidratação adequada e acompanhamento clínico.
Também é importante observar sinais de infecção bacteriana nas lesões, como aumento da dor, vermelhidão intensa ou secreção, que podem exigir avaliação médica e, em alguns casos, uso de antibióticos.
De acordo com orientações técnicas do Ministério da Saúde, essas medidas são suficientes para a maioria dos pacientes, que apresentam recuperação completa sem necessidade de intervenções mais complexas.
Existe medicamento específico para mpox?
Há um antiviral chamado tecovirimat, desenvolvido inicialmente para tratar a varíola e que pode ser utilizado em casos selecionados de mpox. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação do medicamento para uso pelo governo em situações específicas.
Ainda que estudos indiquem segurança do tecovirimat, não há comprovação de benefício consistente na redução de sintomas em quadros leves, que representam a maioria das infecções. Por isso, profissionais de saúde o reservam para pacientes com maior risco de agravamento, como imunossuprimidos ou com complicações.
Na prática, o tratamento para mpox permanece clínico e individualizado.
Isolamento até cicatrização completa
O isolamento faz parte do cuidado, pois a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões ou secreções de pessoas infectadas. A orientação é evitar contato físico até que todas as crostas tenham caído e a pele esteja completamente cicatrizada, processo que pode levar de duas a quatro semanas.
Durante esse período, também se recomenda não compartilhar objetos pessoais, manter higiene das mãos e seguir as orientações da equipe de saúde. O acompanhamento pela rede pública ajuda a monitorar a evolução da mpox e orientar sobre o retorno seguro às atividades.
Quando a fisioterapia pode entrar no cuidado
Em casos leves, a recuperação costuma ocorrer sem necessidade de reabilitação. Pacientes que evoluem com complicações ou internação prolongada podem apresentar perda de força, redução da capacidade respiratória ou dificuldade para retomar atividades.
Nesses casos, a fisioterapia pode ser integrada ao tratamento já no ambiente hospitalar para ajudar na recuperação da funcionalidade e no condicionamento físico, incluindo a reexpansão pulmonar e melhoria da função respiratória.
Segundo o fisioterapeuta José Hauck Jr., a fisioterapia respiratória utiliza equipamentos para melhorar a absorção de oxigênio e o planejamento de exercícios. A intervenção pode começar enquanto o paciente ainda recebe medicação, no leito, e continuar após a alta para evitar regressão.
É importante manter a continuidade do acompanhamento, pois a interrupção pode aumentar o risco de retorno hospitalar.
A atuação da fisioterapia não combate o vírus, mas visa apoiar a recuperação funcional e o condicionamento quando necessário.



